25 de novembro – Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue

Hoje, 25 de novembro, comemora-se o dia do doador voluntário de sangue. Data muito importante, que homenageia àqueles que reservam um tempo de sua vida agitada para anonimamente ajudar ao próximo. A data foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano de 2004 e tem como objetivo sensibilizar e aumentar o número de doadores no mundo... Leia Mais

25 de novembro – Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue

Por Kleber Matias – Médico e Jornalista

Hoje, 25 de novembro, comemora-se o dia do doador voluntário de sangue. Data muito importante, que homenageia àqueles que reservam um tempo de sua vida agitada para anonimamente ajudar ao próximo. A data foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano de 2004 e tem como objetivo sensibilizar e aumentar o número de doadores no mundo, conscientizando os cidadãos da importância da doação voluntária de sangue. A necessidade da conscientização a respeito da doação, constitui-se na única possibilidade de salvar um número cada vez maior de vidas humanas que necessitam desse produto para sua sobrevivência. Por mais incrível que possa parecer, muitos pacientes ainda morrem nos dias de hoje por falta de uma transfusão de sangue ou seus derivados. Nunca é demais lembrar que apesar do desenvolvimento tecnológico da indústria farmacêutica, ainda não se conseguiu produzir um substituto sintético adequado.

A atração e a aversão pelo sangue sempre estiveram presentes no inconsciente coletivo, que é uma espécie de herança de sentimentos, sensações e imagens compartilhadas por toda a humanidade. Lendas sobre bebedores de sangue atravessaram os tempos no imaginário popular. Há indícios de que os egípcios, há 3 mil anos, já acreditavam no poder que certas pessoas adquiriam, tais como, a sabedoria e as virtudes de outras, ao beberem o seu sangue e até mesmo a força e a coragem de seus adversários. Mas foi o escritor irlandês Bram Stoker quem consolidou o mito literário do vampiro em sua obra Drácula, inspirado tanto no imaginário primitivo como na personagem real de Vlad III, o Empalador, que viveu no século XV. Em Príncipe da Valáquia (uma região da atual Romênia), o conde Drácula cristalizou uma visão sexualizada do vampiro que faz o fascínio por essa estirpe inesgotável. A prova viva (ou melhor, morta-viva) está nos lucros da série Crepúsculo e de seriados como True Blood. Nesse último, vampiros bonitões (e outros seres bizarros, como metamorfos e lobisomens) frequentam bares onde bebericam sangue artificial.

Apesar de hoje em dia as transfusões serem um procedimento corriqueiro em milhares de hospitais em todo o mundo, o início da hemoterapia (tratamento com sangue) foi recheado de inúmeras intercorrências. Baseado em experimentos com animais, as primeiras transfusões de sangue na história remontam ao século XVII, realizadas pelo médico britânico Richard Lower, mais precisamente em Oxford no ano de 1665. No ano de 1667, Jean Baptiste Denis, um médico do rei Luiz XIV, realizou as primeiras experiências com humanos. Através de um tubo de prata, ele infundiu sangue de carneiro em Antonie Mauroy, de 34 anos, um doente mental que andava nu pelas ruas de Paris e que veio a falecer após a terceira transfusão.

Na época, as transfusões eram heterólogas (entre espécies diferentes), Denis defendia essa prática, pois acreditava que o sangue dos animais era menos contaminado de vícios e paixões, mas posteriormente tal conduta viria a ser considerada criminosa e foi proibida.

Em todo caso, a primeira transfusão com sucesso é atribuída ao ginecologista inglês James Blundell, em 1818, depois de realizar com bons resultados experimentos em animais, transfundiu sangue humano em mulheres com hemorragia pós-parto. Houve vários acidentes fatais, porém como mais da metade das pessoas pertencem ao grupo sanguíneo O, havia uma grande chance de o receptor receber um sangue do seu próprio grupo.

Foi somente no século XX que a transfusão de sangue, adquiriu bases científicas. Em 1900 foram descritos os grupos sanguíneos A, B e O pelo médico austríaco Karl Landsteiner e que por essa razão recebeu o prêmio Nobel de medicina em 1930. A transfusão incorreta quanto ao grupo sanguíneo resulta em reações de incompatibilidade que causam hemólise (ruptura das células), podendo causar a morte do receptor.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os anticoagulantes tais como o citrato de sódio foram utilizados para prolongar a vida útil do sangue e juntamente com a refrigeração, provaram ser meios eficazes de conservá-lo. A partir dos anos 1920, o estímulo à doação voluntária de sangue para o armazenamento e uso posterior, foram introduzidos no cotidiano das grandes cidades.

O primeiro banco de sangue surgiu em 1936, em Barcelona, durante a Guerra Civil Espanhola. Após a Segunda Guerra Mundial, com os progressos científicos e o crescimento da demanda por transfusões de sangue, surgiram no Brasil os primeiros Bancos de Sangue.

A “doação” de sangue inicialmente era paga; o sangue era vendido como uma mercadoria qualquer. A qualidade do sangue no Brasil era muito ruim, contaminado com sífilis, hepatite, Doença de Chagas, entre outras, porque além de não se fazer uma triagem adequada do doador, a fiscalização do produto final era praticamente inexistente.

Em 1977 um médico abnegado, Dr. Luís Gonzaga dos Santos, inaugurava uma nova era da transfusão no Brasil, iniciando pela fundação do hemocentro de Pernambuco, o Hemope, seguido pela construção de hemocentros em todo o país foi possível garantir um sangue de muito boa qualidade em todo o território nacional, proporcionando uma transfusão segura e eficaz a todos os pacientes.

 

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