Uso do radioligante 177Lu-PSMA-617 em pacientes com câncer de próstata resistente a castração: uma metanálise

Artigo publicado na revista Clinical Nuclear Medicine em outubro de 2018 por Kim et al.

Comentário por Dra. Carolina Matias.

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum e a 5ª causa de morte por câncer no mundo. Desde a aprovação do docetaxel em 2004, várias novas terapias foram introduzidas no tratamento do câncer metastático resistente a castração como abiraterona, enzalutamida, cabazitaxel e radium-223. Apesar disso, todos os pacientes evoluem com progressão de doença e novas terapias neste cenário são necessárias.

O antígeno de membrana prostático específico (PSMA) é uma glicoproteína de membrana tipo II com componentes extracelular, transmembrana e intramembrana. Diferentemente do antígeno prostático específico (PSA), o PSMA encontra-se com regulação aumentada no câncer de próstata metastático mal diferenciado e resistente à castração, o que o torna um alvo ideal para diagnóstico por imagem e terapia (teranóstico).

Lutécio-177 PSMA-617 é uma pequena molécula que se liga com afinidade ao PSMA. O Lutécio emite partículas beta de pequeno alcance (1 mm), o que permite entrega adequada de radiação ao tumor e mínimo dano ao tecido normal circunjacente.

Uma revisão sistemática com metanálise foi realizada e publicada por Kim e colaboradores na revista Clinical Nuclear Medicine em outubro de 2018. Eles selecionaram 10 estudos (todos retrospectivos e 2 multicêntricos) incluindo 455 pacientes e avaliaram a eficácia do 177Lu-PSMA-617 na redução do PSA sérico após a primeira dose.

Foi observada qualquer redução do PSA em 68% dos pacientes (95% IC 36,5%-72,2%) e uma redução do PSA maior que 50% em 34,45% dos pacientes (95% IC 30,1%-38,9%). Os autores mostraram que qualquer redução no PSA correlacionou-se com maior sobrevida.

Nos estudos incluídos na metanálise, esta forma de tratamento mostrou poucos eventos adversos, sendo os mais comuns xerostomia, xeroftalmia e plaquetopenia.

Diante destes resultados, tal opção de tratamento parece bastante promissora e encontra-se em andamento estudo prospectivo randomizado comparando 177Lu-PSMA-617 com cabazitaxel.

Author profile
Dra. Carolina Matias
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal de Pernambuco.
Residência em Clínica Médica: Hospital das Clínicas da UFPE.
Residência em Oncologia Clínica: AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Tutora de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde.
Preceptora da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português e do IMIP e da residência de clínica médica do Hospital Barão de Lucena

× Olá, Como posso te ajudar?