Associação de nivolumabe a quimioterapia como tratamento de primeira linha do adenocarcinoma esofagogástrico avançado ou metastático: CHECKMATE 649

Associação de nivolumabe a quimioterapia como tratamento de primeira linha do adenocarcinoma esofagogástrico avançado ou metastático: CHECKMATE 649

Comentado por Dra Samara Aquino

No congresso anual da ESMO (European Society of Medical Oncology) de 2020 foram apresentados os dados referentes ao estudo de fase III, CheckMate 649, que randomizou pacientes com adenocarcinoma gástrico, junção gastroesofágica e esôfago, metastático ou avançado, HER2 negativo, com performance status 0 ou 1 e que não haviam recebido nenhum tipo de tratamento previamente para terapia com quimioterapia (FOLFOX / XELOX) ou o mesmo esquema associado a nivolumabe, um imunoterápico anti-PD1.

Nesta análise foram incluídos 1581 pacientes, sendo 70% pacientes com câncer gástrico metastático e os outros 30% aqueles com doença de junção esofagogástrica ou esofágica. Dos casos avaliados, 955 (60%), tinham tumores com PD-L1 CPS ≥ 5. Os dois objetivos co-primários do estudo foram sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP) naqueles com CPS ≥ 5. Eles foram estratificados de acordo com a expressão de PD-L1, região (Ásia, Estados Unidos / Canadá, restante do mundo), ECOG e tipo de quimioterapia (CAPOX/FOLFOX).

A mediana de SG foi de 14,4 meses para nivolumabe com quimioterapia versus 11,1 meses com quimioterapia isolada (HR 0,71; p < 0,0001) nos pacientes com PD-L1 CPS ≥ 5. Naqueles com PD-L1 CPS > 1 a diferença foi de 14 versus 11,3 meses, respectivamente, sendo estatisticamente significativa (HR 0,77; p = 0,0001). Essa diferença também teve significância estatística inclusive na população geral (HR 0,80; p = 0,0002).

Em relação a SLP na população PD-L1 CPS ≥ 5 a mediana foi de 7,7 meses no braço do estudo e 6,6 meses no braço controle (HR 0,68, p < 0,0001), houve também benefício naqueles pacientes com PD-L1 CPS > 1 e na população geral.

A mediana de duração de resposta foi 9,5 meses, no braço quimio + imuno, e 7 meses no braço com quimio isolada. Com taxa de resposta de 60 versus 45%, respectivamente (p < 0,0001).

Os eventos adversos mais comuns (incidência ≥ 20%) no braço nivolumabe e quimioterapia foram náuseas, diarreia, vômitos, diminuição do apetite, dor abdominal, constipação, neuropatia periférica, fadiga e dor musculoesquelética. Ocorrendo um maior número de eventos adversos sérios e que levaram a descontinuação do tratamento nos pacientes que receberam a combinação de nivolumabe com FOLFOX/CAPOX.

Este é o primeiro trabalho para câncer gástrico a demonstrar benefício em sobrevida global com a combinação de imunoterapia e quimioterapia. Até então, para aqueles com doença HER2 negativa, o tratamento padrão era quimioterapia dupla com platina e uma fluoropirimidina que apresenta uma mediana de SG menor do que 1 ano. Os autores do estudo concluem que nivolumabe com FOLFOX/CAPOX é um potencial novo tratamento padrão em primeira linha para pacientes com adenocarcinoma gastroesofágico avançado. Tendo recebido a aprovação para seu uso aqui no Brasil, independente da expressão de PD-L1, em 10 de maio de 2021 pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

 

Referência

Efficacy Study of Nivolumab Plus Ipilimumab or Nivolumab Plus Chemotherapy Against Chemotherapy in Stomach Cancer or Stomach/Esophagus Junction Cancer (CheckMate649)

 

 

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