Associação de osteonecrose de mandíbula associada ao uso de ácido zoledrônico para metástases ósseas

Associação de osteonecrose de mandíbula associada ao uso de ácido zoledrônico para metástases ósseas

Por: em 07.02.2021

Nos últimos anos vimos indicação cada vez mais frequente de uso de bisfosfonato para tratamento de acometimento ósseo relacionado ao câncer.

Dentro dessa classe de medicamentos uns dos mais utilizados é o ácido zoledrônico (AZ) e o denosumabe com benefício evidente, mas, que também pode ocasionar efeitos adversos como osteonecrose de mandíbula (ONM).

Com o objetivo de estudar essa associação e a verdadeira incidência dessa patologia, foi publicado na revista médica JAMA Oncology em dezembro de 2020 o estudo SWOG S0702.

Trata-se de estudo de coorte, observacional e multicêntrico em pacientes com doença óssea metastática ou mieloma múltiplo com indicação de uso de AZ ou denosumabe e sem uso prévio dos mesmos.

Foram recrutados 3491 pacientes entre 30/01/2009 e 13/12/2013, inicialmente o estudo exigia avaliação dentária semestralmente, porém após dois anos passou a ser apenas uma recomendação.

O objetivo do estudo foi analisar a incidência cumulativa em três anos de ONM, definida como exposição óssea em região maxilofacial por mais que oito semanas e sem radioterapia em região craniofacial concomitante, diversos fatores de risco também foram analisados.

Dos 3491 paciente, 1806 eram mulheres (51,7%), a idade mediana foi de 63,1 anos (24-93,9 anos), 1120 tinham câncer de mama, 580 mieloma múltiplo, 702 pacientes com câncer de próstata, 666 com câncer de pulmão e 423 com outras neoplasias.

No total, 90 pacientes desenvolveram ONM, com a incidência de 0,8% (95% IC, 0,5%-1,1%) no primeiro ano, 2% (95% IC, 1,5%-2,5%) no segundo ano e 2,8% (95% IC, 2,3%-3,5%) no terceiro ano.

A incidência cumulativa em 3 anos foi maior em pacientes com mieloma múltiplo (4,3%, 95%IC, 2,8-6,4%), uso do bisfosfonato com intervalo menor do que 5 semanas x mais que 5 semanas (HR 4,65; 95% IC, 1,46-14,81; P=0,009). Maior taxa de ONM foi associada com menor número total de dentes (HR 0,51; 95% IC 0,31-0,83; P=0,006), uso de próteses dentárias (HR 1,83; 95% IC 1,10-3,03; P=0,02) e com tabagismo atual (HR 2,12; 95%IC 1,12-4,02; P = 0,02).

Entre os 460 indivíduos que fizeram uso de denosumabe, 11 apresentaram osteonecrose de mandíbula com uma incidência cumulativa em 3 anos de 3,2% (IC 95% 1,8-5,1%). O número mediano de doses de ácido zoledrônico e de denosumabe foram 2 e 10, respectivamente.

Tais dados nos fornecem informações para nos guiar em uma estratificação de risco para desenvolvimento de ONM em pacientes com doença neoplásica óssea em uso de bisfosfonato ou denosumabe e nos alerta para um efeito adverso potencial dessa medicação e que em alguns casos é negligenciado.

Author profile
Dr. Heberton Medeiros - Oncologia
Dr Heberton Medeiros
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN.
Residência em Clínica Médica: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

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