Avapritinibe - Nova terapia alvo para tratamento do tumor estromal gastrointestinal (GIST)

Por Carolina Ferraz

GIST é um subtipo raro de sarcoma de partes moles do trato gastrintestinal. Corresponde a 01% de todos os tumores do trato gastrintestinal, podem ocorrer em qualquer idade, porém são raros antes dos  40 anos e mais comuns após os 60 anos de idade.  Entre estes tumores 06% apresentam mutações no exon 18 do PDGFRA. A mais comum das mutações do PDGFRA exon 18 é a D842V, que se caracteriza pela resistência a todas as terapias até o momento disponíveis para tratamento do GIST.

Em janeiro de 2020 a agência regulatória americana (FDA) aprovou um novo tratamento para os pacientes com diagnóstico de GIST metastático ou irressecável com mutação no exon 18 do PDGFRA.

Avapritinibe é um inibidor de tirosina quinase de ação seletiva sobre o receptor de  Kit e PDGFRA. A nova droga foi aprovada após resultados do estudo aberto de fase 1 NAVIGATOR, responsável por avaliar desfechos de taxa de resposta e perfil de segurança de 43 pacientes com diagnóstico de GIST e mutações no gene PDGFRA.

Após análise de dados do estudo, a taxa de resposta geral encontrada com uso do avapritinibe foi de de 84% , sendo 07% de resposta completa e 77% de resposta parcial.

Os resultados positivos do uso deste inibidor de tirosina quinase foram demonstrados inclusive em casos de mutação  D842V , neste cenário foram encontradas taxa de resposta completa de 08% e 82% de taxa de resposta parcial.

A dose recomendada após o estudo foi de 300 mg via oral ao dia e o perfil de segurança mostrou-se facilmente manejável, sendo os principais efeitos adversos descritos : náuseas, fadiga, diarréia , edema , prejuízo cognitivo, alteração de coloração capilar , rash, tontura. Um percentual de 8.3% dos pacientes descontinuaram o uso da medicação após efeitos  colaterais do tratamento.

Avapratinibe representa , portanto, um novo padrão seguro de terapia para pacientes com GIST e mutação no exon 18 do PDGFRA, cenário de opções terapêuticas restritas. Este estudo simboliza um marco na medicina de precisão  para tratamento do GIST e reforça a importância de conhecer o perfil mutacional desses pacientes antes de iniciar qualquer terapia com inibidores de tirosina quinase.

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

 
× Olá, Como posso te ajudar?