Tucatinibe/ HER2CLIMB: uma nova opção de tratamento no cenário do câncer de mama metastático Her2 positivo

Por: Carolina Ferraz

Aproximadamente 15 a 20% dos casos de câncer de mama avançado superexpressam Her2.  Apesar dos dramáticos avanços neste cenário nos últimos 20 anos, muitos pacientes com câncer de mama avançado Her2 + continuam morrendo pela progressão de sua doença de base. Nestes casos de câncer de mama metastático Her2 + chama atenção ainda a incidência cada vez mais elevada de metástases cerebrais, para as quais as opções de tratamento são restritas.

O padrão de cuidados para estes pacientes baseia-se na combinação de traztuzumabe mais pertuzumabe e um taxano, seguido por traztuzumabe emtansina após a progressão. Num cenário de nova piora durante uso de traztuzumabe emtansina nenhum regime até o momento havia sido definido como escolha padrão.

Tucatinibe é um inibidor de tirosina quinase altamente seletivo para o domínio Her2 com inibição mínima de receptor de fator de crescimento epidermal (EGFR). Estudos anteriores de fase I já haviam evidenciado o forte potencial desta droga em combinação com capecitabina e traztuzumabe para câncer de mama metastático Her2 positivo, inclusive com importante atividade nas lesões cerebrais.

Mais recentemente, o estudo fase II HER2CLIMB, de importante impacto científico para mudanças na prática clínica, foi apresentado como um dos destaques da sessão oral da última edição do San Antonio Breast Cancer Symposium, evento mundial de maior importância sobre câncer de mama, que aconteceu em dezembro de 2019 no Texas, Estados Unidos.

Foram randomizados 612 pacientes com câncer de mama metastático Her2 positivo previamente tratados com traztuzumabe, pertuzumabe e traztuzumabe emtansina, com ou sem presença de metástases cerebrais, para receber tucatinibe ou placebo em combinação com traztuzumabe e capecitabina. O desfecho primário de avaliação foi sobrevida livre de progressão e os desfechos secundários incluíam sobrevida global, sobrevida livre de progressão entre pacientes com metástases cerebrais, taxa de resposta objetiva e segurança.

Após 01 ano de seguimento a sobrevida livre de progressão foi de 33,1% para o grupo de tucatinibe – combinação e 12,3% para grupo placebo – combinação, a média de duração da sobrevida livre de progressão foi de 7,8 meses e 5,6 meses , retrospectivamente. A taxa de sobrevida global aos 02 anos foi 44,9% no grupo tucatinibe e 26,6% no grupo placebo e a média de sobrevida global foi de 21,9 meses e 17,4 meses, retrospectivamente.

Entre os pacientes com metástases cerebrais os benefícios também foram comprovados, sobrevida livre de progressão em 01 ano foi de 24,9% no grupo tucatinibe e 0% no grupo placebo e a média de sobrevida livre de progressão foi 7,6 meses e 5,4 meses, respectivamente.

Em relação a perfil de toxicidade, eventos adversos comuns no grupo tucatinibe incluíram diarreia, eritrodisestesia palmo plantar, náuseas , vômitos, elevação de transaminases, fadiga e vômitos, apesar dos efeitos indesejáveis, não mais que 10% dos pacientes apresentaram toxicidade maior ou igual a 3.

Os desfechos desse estudo impressionaram bastante e foram favoráveis ao uso de tucatinibe em todos os cenários avaliados.

Como conclusão, tucatinibe associado a capecitabina e traztuzumabe confirmou-se como uma eficaz opção de tratamento em pacientes com câncer de mama avançado Her2 positivos, inclusive para pacientes com metástases cerebrais, e caminha para consolidar-se como tratamento padrão para pacientes que falharam as três drogas principais utilizadas para pacientes Her2 positivos.

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Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

 
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