Efeito de Carboplatina e Paclitaxel adjuvantes na sobrevida de mulheres com Ca de mama triplo negativo – Ensaio PATTERN

 

Efeito de Carboplatina e Paclitaxel adjuvantes na sobrevida de mulheres com Ca de mama triplo negativo – Ensaio PATTERN

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Representando cerca de 15- 20% dos tumores de mama, os tumores triplos negativos são um subgrupo heterogêneo, caracterizado principalmente pela ausência de expressão de receptores de estrógeno, progesterona e de amplificação de HER-2. Tendem a ser mais agressivos e terem maior risco de recorrência local e a distância. Tanto os tumores triplos negativos esporádicos quanto os associados a mutações de BRCA exibem alterações no reparo do DNA, assim como instabilidade genômica, o que suporta o uso de agentes platinantes nesse cenário.

No entanto, baseado nos dados de literatura disponíveis até o momento, o tratamento baseado em platina no cenário adjuvante nas pacientes com CA de mama triplo negativo ainda é controverso, com mais dados principalmente no cenário neoadjuvante, onde a adição de platina aumentou taxa de resposta patológica completa.

Recentemente publicado no JAMA Oncology, este estudo randomizado, fase 3, aberto, conduzido em 9 centros chineses, teve como objetivo comparar, na adjuvância, o uso de 6 ciclos de quimioterapia com Carboplatina AUC 2 e Paclitaxel 80mg/m² D1, D8 e D15 a cada 28 dias por 6 ciclos versus FEC (Ciclofosfamida 500mg/m³, Epirrubicina 100mg/m² e Fluorouracil 500mg/m² a cada 21 dias, por 3 ciclos, seguido de Docetaxel 100mg/m² a cada 21 dias por 3 ciclos.

Entre 2011 e 2016, participaram 647 pacientes com tumor de mama triplo negativo operadas( T> 1cm ou N positivo) e que não tivessem recebido qualquer modalidade de terapia neoadjuvante. Com idade média de 51 anos, foram randomizadas 322 pacientes para receber FEC-T e 325 para receber Carboplatina e Paclitaxel. O tratamento deveria iniciar em até 8 semanas após a cirurgia e a maioria das pacientes tinha tumores em estágio inicial, com 74% sendo N- e a média de linfonodos positivos = 2.

O desfecho primário do estudo era sobrevida livre de progressão e como desfechos secundários estavam 1) sobrevida global, 2) sobrevida livre de doença à distância, 3) sobrevida livre de progressão em pacientes com variantes germinativas BRCA1/2 ou outros genes relacionados ao reparo de recombinação homologa e 4) toxicidade.

Após follow up médio de 62 meses, a sobrevida livre de progressão foi maior no grupo exposto a platina, com 86.5% de pacientes sem doença vs 80.3% no grupo sem platina, com hazard ratio [HR] = 0.65; 95% CI, 0.44-0.96; P = .03.
Em relação aos desfechos secundários, não houve diferença estatisticamente significativa na sobrevida global entre os grupos (HR = 0.71; 95% CI, 0.42-1.22, P = .22) e o perfil de toxicidade foi semelhante a dados históricos.

Numa análise de subgrupo, houve maior benefício nas pacientes com mutação BRCA1 e 2 (HR = 0,44), assim como nas variantes de deficiência de recombinação homologa (HR 0,39).

Em suma, esses resultados trazem a combinação de carboplatina e paclitaxel como alternativa efetiva para adjuvância nas pacientes com CA de mama triplo negativo com doença inicial e reforçam a importância da pesquisa de mutações germinativas a fim de identificar um subgrupo de pacientes mais sensíveis à combinação.

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Dra Carolina Zitzlaff
 
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