CheckMate743: Nivolumabe e Ipilimumabe como terapia de primeira linha em Mesotelioma Pleural Irressecável.

CheckMate743: Nivolumabe e Ipilimumabe como terapia de primeira linha em Mesotelioma Pleural Irressecável.

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Mesotelioma pleural é um câncer raro e extremamente agressivo, com taxas de sobrevida em cinco anos inferiores a 10%. Até recentemente o tratamento padrão para esta doença apresentava poucas atualizações nos últimos 20 anos e limitava-se ao uso de quimioterapia citotóxica.

Este ano o cenário de tratamento da doença apresentou importantes modificações após a apresentação do estudo CheckMate-743 pelo Dr. Paul Baas do The Netherlands Cancer Institute and The University of Leiden, de Amsterdã, no simpósio presidencial virtual do IASLC 2020.

Este estudo multicêntrico, randomizado, aberto e de fase III designou aleatoriamente 600 pacientes para receber em um braço nivolumabe mais ipilimumabe por um período de 02 anos e em outro grupo 06 ciclos de quimioterapia com pemetrexede mais cisplatina ou carboplatina.

Após um acompanhamento mínimo de 22 meses, foram liberados os dados de análise provisória que evidenciaram um ganho de 04 meses de sobrevida global mediana em favor da combinação de imunoterápicos quando comparado com o grupo da quimioterapia (18,1 versus 14,1 meses; HR = 0,74, IC 95% 0,60-0,91; p = 0,0020). As taxas de sobrevida global aos 2 anos foram de 40,8% no braço da imunoterapia versus 27,0% no braço da quimioterapia.

A duração de resposta mediana também foi superior no braço da combinação de Nivolumabe e ipilimumabe atingindo 11 meses versus 6,7 meses com quimioterapia, com 32% dos pacientes apresentando respostas após 24 meses do início da imunoterapia em relação a 08% no braço da quimioterapia.

O estudo apresentou uma taxa de descontinuação de 15 % no grupo de pacientes que fez uso dos imunoterápicos e apresentaram toxicidades grau 03 e 04 versus 7,4 % no grupo da quimioterapia. O perfil de segurança do braço de Ipilimumabe e nivolumabe foi considerado previsível e aproximadamente semelhante ao já descrito em outros estudos que utilizaram a combinação, com atenção especial as toxicidades imunomediadas.

Após divulgação dos dados deste estudo a combinação de Nivolumabe mais ipilimumabe passou a ser considerada o padrão de tratamento na primeira linha do tratamento do mesotelioma maligno avançado e foi imediatamente incorporado para uso pelo FDA.

Em 30 de novembro de 2020 a ANVISA (Agência Nacional de vigilância sanitária) aprovou a combinação de imunoterápicos Nivolumabe e ipilimumabe como opção de primeira escolha no cenário dos pacientes com mesotelioma pleural irresecável e metastático, modificando a prática clínica oncológica no cenário nacional.

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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