EV 301- Enfortumabe Vedotin versus quimioterapia em pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático previamente tratados

EV 301- Enfortumabe Vedotin versus quimioterapia em pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático previamente tratados

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O EV 301 foi um estudo de fase III apresentado no congresso de tumores do aparelho genitourinário da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO GU) que ocorreu de forma virtual no período de 11-13 de fevereiro de 2021.

Nesse estudo pacientes com carcinoma urotelial de bexiga ou trato urinário superior previamente tratados com quimioterapia baseada em platina e com inibidores de PD1/PDL1 foram randomizados 1:1 para enfortumabe vedotin ( 1,25mg/kg D1, D8 e D15 a cada 28 dias) ou quimioterapia a escolha do examinador (docetaxel, paclitaxel ou vinflunina).

O enfortumabe vedotin é um anticorpo monoclonal ligado a um agente antimicrotúbulo, o monomethyl auristatin E (MMAE), que tem como alvo a nectina 4, superexpressa pelos carcinomas uroteliais.

O objetivo primário do estudo foi alcançado com sobrevida global 12,88 meses para os pacientes tratados com enfortumabe e 8,97 meses para aqueles tratados com quimioterapia (HR-0,7; p=0,00142).  A sobrevida livre de progressão também foi maior naqueles tratados com o anticorpo monoclonal , 5,5 meses vs 3,71 meses ( HR-0,62; p<00001).

A taxa de resposta com enfortumabe foi 40,6%, incluindo 4,9% de resposta completa enquanto com quimioterapia foi 17,9%.

A frequência de descontinuidade do tratamento devido a eventos adversos foi semelhante entre os grupos, em torno de 15%. Dentre os eventos adversos grau 3 mais frequentes entre os pacientes tratados com o anticorpo monoclonal estão rash cutâneo (15%), neuropatia periférica (5%) e hiperglicemia (4%).

O dado de sobrevida global alcançado nesse estudo é bastante interessante, para uma população em que 88% dos pacientes já haviam recebido até duas linhas de tratamento prévio, e passa a representar uma importante arma no tratamento do carcinoma urotelial avançado. Apesar de já estar aprovado nos Estados Unidos desde 2019, baseado em dados preliminares de estudos de fase II, a regulamentação para sua utilização no Brasil ainda é esperada.

Author profile
Dra. Andrezza Santos
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Residência em oncologia Clinica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira IMIP, Mestrado em cuidados paliativos pelo IMIP, Preceptora das residências de oncologia clínica do IMIP, Hospital Universitário Osvaldo Cruz -HUOC e do Real Hospital Português

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