Gefitinibe Adjuvante vs Vinorelbina/Cisplatina em câncer de pulmão não pequenas células EC II-IIIA EGFR mutado: análise final de sobrevida global.

Gefitinibe Adjuvante vs Vinorelbina/Cisplatina em câncer de pulmão não pequenas células EC II-IIIA EGFR mutado: análise final de sobrevida global.

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Foi publicado em dezembro 2020, no Journal of Clinical Oncology, por Zhong e colaboradores, os resultados finais de sobrevida global do estudo fase 3 CTONG1104 indicando não haver ganho estatisticamente significativo no uso adjuvante de gefitinib vs vinorelbina/cisplatina em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células, EC II-IIIA (N1-2) com mutação em EGFR. Apesar de os dados anteriores, de análise primária, terem demonstrado benefício significativo em sobrevida livre de doença com uso do gefitinib.

O CTONG1104 foi um estudo fase 3, multicêntrico com 222 pacientes que foram randomizados entre setembro de 2011 a abril de 2014 para receberem gefitinib por 24 meses (n= 111) ou vinorelbina/cisplatina a cada 3 semanas por 4 ciclos (n= 111). O endpoint primário era sobrevida livre de doença e a sobrevida global era o endpoint secundário.

O seguimento mediano foi de 80 meses. A sobrevida global mediana foi de 75,5 meses no grupo do gefitinib vs 62,8 meses no grupo do vinorelbina/cisplatina sem diferença estatística (p= 0,674). A sobrevida global em 5 anos foi 53,2% vs 51,2% (p= 0,784).

Após a progressão da doença, a terapia subsequente foi realizada em 68,4% vs 73,6% dos pacientes, desses 38,6% vs 51,5% receberam terapia alvo. A sobrevida global mediana foi de 57,4 meses para os que receberam terapia subsequente vs 28,7 meses para os que não receberam no grupo do gefitinib e 51,9 meses vs 15,6 meses no grupo do vinorelbina/cisplatina.

A sobrevida global mediana foi de 76,2 meses dentre aqueles que receberam terapia alvo, 39,3 meses nos que receberam terapia subsequente e 23,4 meses nos que não receberam terapia subsequente. Ter recebido terapia alvo em esquemas subsequentes foi o que mais contribuiu para a sobrevida global vs não ter recebido tratamento subsequente (HR= 0,23).

Atualizações em sobrevida livre de doença em 3 e 5 anos nos grupos de gefitinib vs vinorelbina/cisplatina foi de 39,6% vs 32,5% (p= 0,316) e 22,6% vs 23,2% (p= 0,928).

O investigador concluiu que a terapia adjuvante com gefitinibe, em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células em estágio precoce e com mutação EGFR, melhorou a sobrevida livre de doença quando comparado com uso de quimioterapia padrão. Entretanto essa vantagem não se traduziu em diferença significativa em sobrevida global apesar de ter sido uma das sobrevidas mais longas observadas nesse grupo de pacientes quando comparado com dados históricos.

Esses resultados levantam questões a respeito se uma nova geração de inibidores tirosina quinase, como no estudo ADAURA pode levar a benefício em sobrevida global, apesar de seu uso no cenário adjuvante ter sido recentemente aprovado pela agência sanitária americana (FDA) com base nos dados de sobrevida livre de doença. Deixando questões sobre qual linha subsequente em caso de recidiva da doença durante o uso do osimertinibe, no caso do estudo ADAURA.

Author profile
Dr. José Fernando do Prado Moura
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.
Residência em Clínica Médica: Hospital Barão de Lucena - Secretaria Estadual de Saúde de PE.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestrado em Ciências/Oncologia pelo pelo AC Camargo Cancer Center.
Doutorado (em curso) IMIP/Universidade Federal de São Paulo.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do IMIP e Real Hospital Português

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