Avaliação de recorrência bioquímica em câncer de próstata pós prostatectomia radical utilizando o EPT/CT PSMA 68gálio – experiência de um serviço de referência em pernambuco.

Avaliação de recorrência bioquímica em câncer de próstata pós prostatectomia radical utilizando o EPT/CT PSMA 68gálio – experiência de um serviço de referência em pernambuco.

Comentado por: Dra Samara Aquino

(Trabalho apresentado à Comissão de Residência Médica do Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco como requisito básico para conclusão do Programa de Residência Médica de Cancerologia Clínica.)

O Câncer de Próstata é a segunda neoplasia mais incidente do mundo. Após prostatectomia radical (PR), cerca de 20 a 40% dos pacientes apresentarão recidiva em 10 anos. Muitos destes evoluirão com elevação sérica do antígeno prostático específico (PSA) sem doença clinicamente aparente, caracterizando a recidiva bioquímica (RB). Após evidenciada a presença de RB, o passo inicial é determinar se existe substrato anatômico e é nesse contexto que entra a realização de exames de imagem. O PET/CT com PSMA68Ga tem se mostrado superior aos exames de imagem tradicionais e também a marcadores como 18F-fluciclovina, na detecção de recorrência do câncer de próstata após terapia definitiva.

Este estudo é uma análise retrospectiva, realizada através de dados coletados em prontuário eletrônico de todos os pacientes submetidos ao exame de PET/CT PSMA68Ga no serviço de medicina nuclear do Real Hospital Português devido a RB do câncer de próstata após PR entre os anos de 2016 e 2020. Um total de 550 pacientes realizaram este exame no nosso serviço. Os pacientes se dividiram entre exames para estadiamento, recidiva bioquímica e avaliação de reposta terapêutica na doença metastática. Entre os pacientes com recidiva bioquímica, 117 estavam realizando o exame após radioterapia definitiva e 223 após prostatectomia radical. Sendo excluídos desta análise 10 pacientes que não tinham informação sobre o valor do PSA.

Entre os 213 pacientes elegíveis para o estudo, a mediana de idade foi de 69 anos (46 a 92 anos). A mediana de tempo entre o diagnóstico e a recidiva bioquímica foi de 36 meses, variando de 2 a 281 meses. Em relação ao escore de Gleason, 94 pacientes não possuíam essa informação em prontuário. O escore de Gleason 7 representou a maioria, correspondendo a 53,8% dos casos. A mediana do valor de PSA no momento do exame foi de 0,55ng/ml (0,2 a 80ng/ml).

Em relação à positividade do exame, dentre os 213 pacientes, 130 (61%) tiveram o exame positivo para localização da recidiva de doença. A positividade do exame variou de acordo com o ponto de corte do PSA (p<0,001). Para PSA <0,2ng/ml, 36% dos exames foram positivos, entre 0,2 – 0,49ng/ml foram 42,7%, já na faixa de 0,5-0,99ng/ml essa porcentagem foi de 65,9%, entre de 1,0 -1,99,0ng/ml esse valor subiu para 80%, de 2,0 – 4,99ng/ml de 84,2% foram alterados e a partir de 5,0ng/ml chegou a 92,9%.

Quanto aos principais locais de recidiva os sítios mais comuns foram: leito prostático com 33% (n = 43), seguido de linfonodo pélvico com 27,6% (n = 36)  e em terceiro lugar lesão óssea com 26,9% (n = 35). Em análise univariada não houve relação do escore de Gleason com positividade do exame. Em relação ao número de lesões, 89,2% dos pacientes foram considerados como sendo oligometastáticos (≤  5 lesões). Quando avaliado o valor do PSA para positividade do exame, através de análise da curva ROC, foi encontrado o valor de 0,49, com sensibilidade de 68,5% e especificidade de 71,1% (p<0,001).

Nessa análise encontramos taxas de detecção de lesão com característica sugestiva de recorrência do câncer de próstata semelhante ao encontrado na literatura, mostrando uma relação estatisticamente significativa entre o aumento da positividade do exame de acordo com a elevação dos níveis de PSA. O principal local de recidiva foi o leito prostático, com um ponto de corte ideal para positividade do exame de 0,49ng/ml.

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