Imunoterapia na Neoplasia trofoblástica gestacional resistente a monoquimioterapia: Estudo TROPHIMMUN

Imunoterapia na Neoplasia trofoblástica gestacional resistente a monoquimioterapia: Estudo TROPHIMMUN

Comentado por: Dra Carolina Zitzlaff

A doença trofoblástica gestacional é uma entidade rara e, na maioria das vezes, auto-limitada, evoluindo para neoplasia trofoblástica gestacional em raras situações. Mesmo nesses casos, uma grande maioria pode ser curável com monoquimioterapia baseada em metotrexato.

Em pacientes com doença resistente, apesar de dispormos de regimes efetivos para 2ª linha, tratam-se de combinações com alto potencial de toxicidade. Sabendo-se que os tumores trofoblásticos expressam PD-L1 constitutivamente e que células natural killer estão envolvidas no trofoblasto e que os anti-PDL1, como o avelumab, podem induzir citotoxicidade mediada por células NK, surgiu a necessidade de avaliar a atividade da imunoterapia nesta patologia.

Publicado no Journal of Clinical Oncology em Julho de 2020, a coorte A deste estudo fase 2, aberto, multicêntrico, envolveu mulheres com Neoplasia Trofoblástica gestacional com resistência após monoquimioterapia. Resistência foi definida como aumento de HCG > 10% em 3 coletas consecutivas num intervalo maior que 2 semanas ou um platô – queda menor que 10% em 4 exames consecutivos durante um intervalo maior que 3 semanas.

Entre dezembro de 2016 e setembro de 2018, foram incluídas 15 pacientes, que receberam Avelumab 10mg/kg a cada 2 semanas até negativação de beta-HCG, seguido por 3 ciclos de consolidação.

O desfecho primário foi a proporção de normalização de hcg e os desfechos secundários eram sobrevida livre de resistência, sobrevida global e segurança.

A média de idade foi de 34 anos e 100% das pacientes haviam sido expostas a metotrexate e 7% a actinomicina D. 53,3% eram estadio I e 46,7 % Estadio III, com 100% com histopatológico compatível com mola completa.  Como resultados, 8 pacientes (53.3%) normalizaram hcg após uma média de 9 ciclos de avelumab, sem nenhum caso de recidiva e com 1 caso de gravidez saudável após conclusão do tratamento.  Dentre as respondedoras, não houve nenhum caso de pseudoprogressão. A chance de normalização não teve associação com estadiamento ou HCG basal. Nas pacientes não respondedoras, 42,3% atingiram remissão com actinomicina D e 57,1% com a combinação de quimioterapia e cirurgia.

A sobrevida livre de recorrência e sobrevida global ainda não foram atingidas.

Com relação ao perfil de segurança, fadiga, náuseas e vômitos e reações infusionais foram os efeitos adversos mais comuns e nenhum paciente teve tratamento suspenso por toxicidade.

Apesar do número pequeno de pacientes e da ausência de comparação com o tratamento padrão atual, são resultados animadores que claramente mostram papel da imunoterapia neste grupo de patologias, com um bom perfil de segurança.

A coorte B deste mesmo estudo avaliará pacientes resistentes a poliquimioterapia e está em andamento também o ensaio TROPHAMET, que combina avelumab com metotrexato na primeira linha de tratamento. Estes e outros futuros estudos trarão informações adicionais sobre as melhores indicações para o uso desta medicação no tratamento da neoplasia trofoblástica gestacional.

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Dra Carolina Zitzlaff
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