Inca registra 10 mil casos de linfoma por ano no Brasil

Por Ana Carla Santiago

Post original publicado no blog Saúde e bem Estar

 

O sistema linfático é o principal sistema de defesa do nosso organismo. Ele é constituído pelos nódulos linfáticos, uma rede complexa de vasos, responsável por transportar a linfa dos tecidos para o sistema circulatório, além de proteger células imunes, absorver ácidos graxos e equilibrar os fluidos nos tecidos do corpo. Existem mais de 20 tipos de cânceres que podem atingir esse sistema e esse conjunto é chamado de Linfoma.

Os linfomas são divididos em dois tipos: Linfoma de Hodgkin, que surgem a partir de uma célula específica – Células de Reed-Stemberg, e Linfoma Não-Hodgking, que surgem de outras células do sistema linfático. Alguns casos de linfoma podem estar relacionados a infecções crônicas, como o vírus HIV, irradiações ionizantes e alguns produtos químicos, além de causas de imunossupressão utilizadas em receptores de transplantes de órgãos. Entretanto, a grande maioria dos casos não possui uma causa específica.

Heberton Medeiros Teixeira, oncologista clínico que atua no Real Hospital Português, explica que o principal sinal que deve chamar a atenção para a suspeita de linfoma é o surgimento ou crescimento de linfonodos, popularmente chamados de “ínguas” ou “landras”. Além disso, os sintomas mais frequentes são: febre, perda de peso, sudorese noturna e coceiras.

“Outros sinais podem surgir a depender do tamanho e da localização onde cresce a massa, como cefaleia, convulsões, azia, dor epigástrica, constipação, falta de ar (dispneia), dor abdominal e anemia. Dor em linfonodos ao ingerir bebida alcoólica, apesar de raro, é bastante sugestivo para o diagnóstico de linfoma de Hodgkin”, afirma o especialista.

Segundo o oncologista, os linfomas não-Hodgkin são mais comuns nos idosos acima de 60 anos. Já os linfomas de Hodgkin possuem uma apresentação bimodal, ou seja, é mais frequente durante a segunda e quinta décadas de vida. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revelam que, por ano, são registrado 10 mil casos de linfoma em todo o Brasil, e cerca de 4 mil mortes são atribuídas à doença.

De acordo com Teixeira, o diagnóstico da enfermidade é feito através de análise histopatológica, por um microscópio óptico, de um linfonodo ou parte de um tumor em que haja suspeita de ser um linfoma. O especialista conta que, na maioria das vezes, essa etapa é complementada com um estudo chamado de Imunohistoquímica, que serve para apurar o resultado, subclassificar o linfoma e avaliar potenciais alvos terapêuticos.

A base do tratamento do linfoma é a quimioterapia e, algumas vezes, pode ser complementado com radioterapia. O transplante de medula óssea também pode ser uma opção, geralmente em casos de recaídas. “Uma importante arma na luta contra os linfomas foi o desenvolvimento de anticorpos monoclonais contra alvos específicos da doença, que, quando associados à quimioterapia, melhoram seus resultados. Em alguns casos, podem ser feitos, inclusive, como monoterapia”, afirma o oncologista. Em uma minoria dos casos, quando há linfomas de baixo grau, sem sintomas e com baixo volume de doença, pode haver apenas a observação sem a necessidade de um tratamento específico.

O oncologista finaliza explicando que, por não ter relação com fatores e hábitos modificáveis, como alimentação ou prática de atividades físicas, esse tipo de câncer não possui uma estratégia estabelecida para prevenção.

Author profile
 
× Olá, Como posso te ajudar?