Keynote 048: Imunoterapia aumenta sobrevida em paciente com câncer de cabeça e pescoço

Por Dr. Heberton Medeiros

Trata-se de estudo apresentado na ESMO em Munique no dia 22 de outubro de 2018, comparando protocolo extreme (platina + 5 FU + cetuximabe – braço padrão) X pembrolizumabe isolado X pembrolizumabe + 5FU + platinas, na proporção 1:1:1, em pacientes em pacientes com câncer de cabeça e pescoço metastáticos ou recidivados sem quimioterapia prévia ou terapia biológica.

Quando se comparou pembrolizumabe (301 pacientes)  com o braço padrão (300 pacientes) em indivíduos com expressão de PDL1 com combined positive score  (CPS) > 20, a sobrevida global foi de 14,9 meses para o pembrolizumabe contra 10,7 meses no braço da terapia padrão (HR 0,61, P =0,0007), já a taxa de resposta foi de 23,3% para o pembrolizumabe X 36,1% no braço que recebeu o protocolo Extreme. A duração de resposta foi maior no grupo do pembrolizumabe (20,9 x 4,5 meses) e não houve diferença em sobrevida livre de progressão.

Já nos pacientes com CPS > 1, na comparação entre pembrolizumabe contra o braço extreme,  apesar de persistir a diferença em sobrevida global em favor do braço que recebeu pembrolizumabe ela foi menor (12,3 x 10,3 meses HR 0,78 com p 0,0086), a taxa de reposta foi 19,1% X 34,9% e a mediana de duração de resposta foi de 20,9 X 4,5 meses, para pembrolizumabe x braço padrão, respectivamente, enquanto a sobrevida livre de progressão persistiu sem diferença estatística.

A segunda comparação desse estudo se deu entre a combinação de pembrolizumabe com quimioterapia baseada em platina de 5FU (281 pacientes) e com a combinação de platina + 5Fu + cetuximabe (278 pacientes), a sobrevida global foi maior no grupo experimental em relação ao grupo padrão (13 x 10,7 meses), taxa de resposta e sobrevida livre de progressão não apresentaram diferença estatisticamente significativa.

A toxicidade foi a esperada nos três grupos, apresentando menor intensidade no grupo do pembrolizumabe isolado, enquanto as associações apresentaram toxicidade similar entre elas e com maior intensidade.

A importância desse estudo deve-se ao fato de que pela primeira vez em uma década um tratamento antineoplásico conseguiu superar o braço padrão (extreme) e estabeleceu a expressão de PDL1 CPS como marcador válido, quanto ao uso de imunoterapia isolada ou em associação, em pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

Author profile
Dr. Heberton Medeiros - Oncologia
Dr Heberton Medeiros
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN.
Residência em Clínica Médica: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

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