KEYNOTE 598 – Combinação de Pembrolizumab e Ipilimumab em Cancer de pulmão

KEYNOTE 598 - Combinação de Pembrolizumab e Ipilimumab em Cancer de pulmão

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Em pacientes com Ca de pulmão não pequenas células avançado, com PDL1 (TPS) ≥ 50%, pembrolizumab em monoterapia é considerado o standard of care, baseado nos resultados do KEYNOTE-024. Apesar dos excelentes dados da imunoterapia neste contexto, as taxas de progressão de doença e óbito relacionado ao câncer ainda são altas em 2 anos, sendo necessário o estudo de novas terapias.

Com esse objetivo, este estudo foi desenhado para avaliar se a adição de ipilimumab a pembrolizumab se traduziria em melhora de desfechos quando comparado a pembrolizumab em monoterapia, em pacientes com PDL1 ≥ 50% e sem mutações driver. A combinação deste anti-CTLA4 com outro anti-PD1 – nivolumab, já havia mostrado melhora nos resultados em algumas subpopulações de Ca de pulmão, melanoma e Cancer renal, às custas de aumento de toxicidade.

O Keynote 598 foi um estudo randomizado, duplo cego, fase 3, placebo-controlado, realizado em 171 centros em 24 países. Os pacientes incluídos tinham diagnóstico confirmado de Ca de pulmão não pequenas células Estadio Clínico EIV, PD-L1 TPS ≥ 50%, ECOG 0 ou 1 e não haviam sido previamente expostos a tratamento sistêmico no cenário paliativo.

Os participantes foram randomizados em grupos 1:1 para receber ipilimumab 1 mg/kg ou placebo a cada 6 semanas por até 18 doses (2 anos) e todos recebiam pembrolizumab 200mg a cada 3 semanas, também por até 2 anos.

Os desfechos primários eram sobrevida global e sobrevida livre de progressão e desfechos secundários eram taxa de resposta global (completa ou parcial), duração de resposta e segurança.

Foram incluídos 284 pacientes em cada grupo e os desfechos primários não foram atingidos: a sobrevida livre de progressão foi de 8,2 meses no grupo da combinação versus 8,4 meses no grupo de pembrolizumab isolado, com resultados consistentes em todos os subgrupos.

A taxa de resposta global foi semelhante nos dois grupos – 45,4%, com aumento das taxas de resposta completa no grupo da combinação ( 4,6 x 2,8%). A duração de resposta média foi de 16,1 meses e 17,3 meses, respectivamente, no grupo que fez ipilimumab e no grupo que recebeu placebo.

Houve um discreto aumento na incidência de efeitos adversos, mas com diferença significativa em relação a toxicidade graus 3 e 4 ( 62,4% x 50,2%).

Em resumo, a combinação de pembrolizumab e ipilimumab nos pacientes estudados não mostrou beneficio quando comparado ao uso de pembrolizumab em monoterapia neste perfil de pacientes, além de ter aumentado a incidência de efeitos adversos graves, com o estudo sendo interrompido precocemente.

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Dra Carolina Zitzlaff
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