Novo tratamento para câncer de pele basocelular localmente avançado ou metastático

Novo tratamento para câncer de pele basocelular localmente avançado ou metastático

Comentado por Dra Cecília Arraes em 10/05/2021

Em 23 de março de 2021, a Anvisa (Agência Nacional Vigilância Sanitária) aprovou mais um tratamento para os pacientes portadores de Carcinoma Basocelular (CBC) localmente avançado ou metastático como segunda linha de tratamento: cemiplimabe (anti-PD-1).

Os carcinomas basocelulares são os tumores mais comuns de pele não melanoma e a maioria é manejado com intenção curativa em regime ambulatorial, através de cirurgia, radioterapia ou imunomoduladores tópico. Em virtude de manejo ambulatorial, os dados epidemiológicos são mais escassos. A Sociedade Americana de Oncologia estimou dados em 2012, mostrando uma incidência de 5,4 milhões de casos em 3,5 milhões de pessoas, dos quais 8 em cada 10 eram basocelulares. Apesar de elevada inicidência, a imensa maioria não tem potencial de metastatizar ou avançar localmente. Neste mesmo ano, foram registrados 1000 mortes por carcinoma basocelular.

Os CBCs são mais frequentes em populações de pele branca e sua incidência aumenta com a idade, chegando a um risco de 30% ao longo da vida. A incidência em homens é 30% maior do que em mulheres. O principal fator de risco é exposição solar, o que explica o fato de 70% dos casos se localizarem em face. A principal via de carcinogênese desses tumores é a ativação da via de Hedgehog (HH).

No final de 2016, A ANVISA aprovou o Vismodegibe, um inibidor da via de HH para tratamento de CBC metastático ou localmente avançado. Baseado em estudos de fase II que mostraram taxa de resposta de 30-43%. Até o ano passado, essa era a principal opção terapêutica neste cenário. Apesar de eficaz, o vismodegibe é uma medicação com efeitos colaterais relevantes e de difíceis manejo, como espamos musculares, alopecia, alteração paladar, náuseas e diarreia, com 25% dos pacientes apresentando toxicidade grau 3 ou mais e com taxa de descontinuação de 18-25%. Após progressão, a única opção terapêutica seria quimioterapia citotóxica. Baseados no racional de que os CBC são tumores altamente imunogênicos, com maior taxa mutacional já reportada (superior a 70 mutações por megabase), a imunoterapia sistêmica surge como excelente estratégia terapêutica potencial para essa doença.

Em 2020, foram apresentados no congresso Europeu (ESMO), os dados do estudo de fase II EMPOWER BCC-1. Esse trabalho avaliou a eficácia do Cemiplimabe (anti PD-1) em 2 coortes, uma que recrutou pacientes com CBC localmente avançado e outra com tumores metastáticos. Em ambos os grupos foram incluído pacientes que progrediram aos inibidores de Hedgehog, intolerantes a medicação ou que não tiveram resposta satisfatória após 9 meses de tratamento. Na ESMO, foram apresentados os dados da coorte dos pacientes com tumores localmente avançados – 84 pacientes receberam Cemiplimabe na dose de 350mg a cada 3 semanas até 93 semanas ou progressão de doença.

O objetivo primário era taxa de resposta e os objetivos secundários foram: segurança, tolerância, sobrevida livre de progressão, sobrevida global e estimativa de duração de resposta. Quanto ao perfil dos pacientes recrutados, 66,7% eram homens, média de idade de 70 anos, seguimento de aproximadamente 15 meses. A taxa de resposta foi de 31%, com 5 pacientes com taxa de resposta completa e 21 de resposta parcial. A media de duração de resposta não foi atingida, mas aos 12 meses, 85% continuavam respondendo. A estimativa de sobrevida livre de progressão foi de 19 meses. Os principais eventos adversos foram fadiga (30%), diarreia (24%) e prurido (21%), com taxa de descontinuação de 17%. A taxa mutacional média entre os respondedores foi de 58,2mut/mb versus 23.3 mut/mb entre os não respondedores. Em relação à expressão de PDL-1, as respostas foram independentes deste marcador.

Os dados referentes a Coorte 1 de pacientes metastáticos foram apresentando na conferência da Society for Immunotherapy of Cancer (STIC) de 2020. Com dados inferiores, 28 pacientes foram recrutados, com mediana de idade de 65 anos, dos quais 53,5% homens. Maioria havia progredido aos inibidores de HH e 85% apresentava doença metastática extranodal. A taxa de resposta nesse grupo foi de 21,4%, sem nenhuma evidência de resposta completa, mas com taxa de controle de doença de 67,9%. Aos 12 meses, 66,7% apresentavam resposta durável e a probabilidade de sobrevida livre de progressão aos 12 meses foi de 49,8%. A SLP estimada foi de 8,3m e de SG foi de 25,7 meses.

Baseados neste trabalho ainda não publicado, o Cemiplimabe, anti-PD1 já comprovadamente eficaz contra Carcinoma Espinocelular de pele e Câncer de Pulmão, agora também está aprovado para Carcinoma Basocelular em segunda linha. Apesar de CBC metastático ter uma incidência baixa, está aprovação surge no contexto de escassez de opções terapêuticas, com bom perfil de tolerabilidade e potencial de resposta relevante.

REFERÊNCIAS:

 

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