Olaparib adjuvante em Câncer de mama com mutações em BRCA 1 ou BRCA 2 – Estudo Olympia

Olaparib adjuvante em Câncer de mama com mutações em BRCA 1 ou BRCA 2 – Estudo Olympia

Por Dra Carolina Zitzlaff

Apresentado na última ASCO e publicado no New England Journal of Medicine, este estudo Fase 3, duplo cego, randomizado, procurou estudar a ação de Olaparib adjuvante em pacientes com câncer de mama localizado HER2 negativo com mutações germinativas patogênicas ou provavelmente patogênicas nos genes BRCA 1 e BRCA2, com fatores de alto risco e previamente expostas a quimioterapia neo ou adjuvante.

Aproximadamente 5% das pacientes com Cancer de mama têm mutações patogênicas ou provavelmente patogênicas nos genes BRCA 1 e 2, sendo ainda mais comuns em pacientes com rica história familiar, pacientes jovens e de determinadas etnias. Mutação em BRCA1 costuma ter maior associação com tumores triplo negativos, enquanto em BRCA2 maior associação com tumores com receptores hormonais positivos. Esses genes decodificam proteínas essenciais para o reparo na recombinação homóloga do DNA. Os inibidores de PARP (poliadenosina difosfato polimerase), como o Olaparib, agem em células tumorais com deficiência de reparo do DNA, com ação clínica já previamente demonstrada em tumores de mama, ovário, próstata e pâncreas.

Foram incluídas no estudo 1836 pacientes em 420 centros em 23 países, randomizadas para receber Olaparib 300 mg/dia ou placebo adjuvantes por 1 ano. Deveriam iniciar 2 a 12 semanas após completarem o tratamento padrão, com quimioterapia neo ou adjuvante e radioterapia, quando indicada. O uso de platina era aceito, assim como hormonioterapia e bisfosfonato adjuvantes, quando recomendados.
Dentre os critérios de elegibilidade, pacientes com tumores triplo negativos tratadas com QT adjuvante deveriam ter tumor invasivo primário > 2cm ou linfonodo axilar positivo. Pacientes tratadas na neoadjuvância deveriam ter doença invasiva residual na mama ou nos linfonodos e não podiam ter sido expostas a quimioterapia após a cirurgia. Já nas pacientes RH+ tratadas com quimioterapia adjuvante, deveriam ter pelo menos 4 linfonodos positivos no anatomopatológico.

O desfecho primário do estudo era sobrevida livre de doença invasiva. Em análise interina pré- especificada, o percentual de pacientes vivas e livres de doença invasiva em 3 anos foi de 85,9% no grupo do olaparib e de 77,1% no grupo placebo (HR .58; P< 0,001) . A sobrevida livre de doença à distância foi de 87,5% x 80,4 % nos grupos de intervenção e placebo, respectivamente.

O benefício de olaparib se manteve independente dtipo de mutação, status de receptor hormonal e uso de quimioterapia neo ou adjuvante.
Em relação ao perfil de segurança, efeitos adversos de qualquer grau ocorreram em 10% em ambos os grupos, com o perfil de toxicidade do olaparib compatível com estudos anteriores. Efeitos adversos de grau 3 ou mais no grupo de intervenção foram anemia(8,7%), neutropenia (4,8%), leucopenia (3%), fadiga (1,8%) e linfopenia (1,2%). 25% das pacientes em uso de olaparib necessitaram de redução de dose, em comparação com 5,2% no grupo placebo, e foi necessária suspensão do tratamento em 9,9% e 4,2% em cada grupo, respectivamente.

Em resumo, em pacientes com câncer de mama localizado, com fatores de alto risco, HER2 negativo e com mutações germinativas em BRCA1 ou 2, o uso de olaparib adjuvante após o tratamento padrão foi associado a melhora de sobrevida livre de doença invasiva e à distância. Deveremos ponderar o custo- benefício na prática clínica, assim como acompanhar o perfil de toxicidade a longo prazo.
Por fim, percebe-se a importância cada vez maior da avaliação do perfil de mutações germinativas nesses pacientes, com impacto não apenas no aconselhamento genético e prevenção de segundos tumores primários, mas também nas decisões quanto a tratamento sistêmico na doença avançada e, agora, também na doença inicial.

 

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Dra Carolina Zitzlaff
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