Pacientes com câncer e vacina contra pneumonia

Por Heberton Medeiros

A chamada “Onda Antivacina” foi considerada uma das dez maiores ameaças em 2019 contra a saúde da população mundial,  segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e a importância de se ter uma vacina eficaz  contra uma doença grave conseguimos observar,  com maior intensidade,  neste  período em que vivemos de pandemia da COVID-1, que até o momento não temos vacinação que nos imunize.

A vacinação de uma forma geral é considerada um dos grandes avanços da medicina em todos os tempos e uma das grandes responsáveis pelo aumento da expectativa de vida da população mundial, por ser uma das formas mais eficazes de evitar doenças.

Ao receber uma vacina o indivíduo protege não apenas a si mesmo, mas, também a comunidade como um todo, pois, quanto mais pessoas de uma determinada comunidade ficarem protegidas, menor são as chances dos indivíduos, ficarem doentes, a tão falada imunidade de grupo ou “rebanho”.

Para o paciente que tem câncer a importância é ainda maior que na população geral, pois, além de salvar vidas ela também evita complicações que podem prejudicar o tratamento contra o câncer.

Em março de 2019, o ministério da saúde incluiu a vacina pneumocócica conjugada 13-valente no calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização (PNI), para pacientes que tenham o sistema imunológico comprometido, que incluem, pessoas transplantadas e pacientes com câncer.

Trata-se de vacina produzida por microorganismos mortos, e, portanto, segura para pacientes oncológicos, a qual ajuda a prevenir doenças relacionadas com o pneumococo, o Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, sinusite, otite, meningite e infecções da corrente sanguínea (bacteremia/sepse), atualmente é disponibilizada gratuitamente no Sistema único de Saúde (SUS), além de também estar disponível nos serviços privados de imunização. A vacina protege contra treze sorotipos dessa bactéria (1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F).

Para pacientes oncológicos a administração é em dose única, no entanto, não deve ser realizada naquele paciente que já tenha recebido a vacina pneumocócica conjugada 10-valente. No caso do paciente que tenha recebido a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente, o mesmo só deve receber a 13- valente um ano após a aplicação daquela, assim como esse mesmo intervalo também deve ser respeitado em caso da aplicação invertida dessas vacinas, sendo inclusive, esta é a sequência mais recomendada de administração. A vacina 23-valente deve ser repetida após 5 anos e protege contras os sorotipos 1, 2, 3, 4, 5, 6B, 7F, 8, 9N, 9V, 10A, 11A, 12F, 14, 15B, 17F, 18C, 19A, 19F, 20, 22F, 23F, 33F.

Os eventos adversos mais frequentemente relacionados a essas vacinas são dor, calor e endurecimento no sítio de aplicação, que normalmente são leves e transitórios, e ainda, febre, cefaleia e mal-estar podem eventualmente ocorrer.

 

Author profile
Dr. Heberton Medeiros - Oncologia
Dr Heberton Medeiros
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN.
Residência em Clínica Médica: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

 
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