Recomendações Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) para a vacinação contra a COVID 19 em pacientes oncológicos

Recomendações Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) para a vacinação contra a COVID 19 em pacientes oncológicos

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Em 17 de Janeiro de 2021 a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou para uso emergêncial no Brasil as vacinas CoronaVAC  produzida pelo Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa SINOVAC e a vacina  Covishield , produzida pela farmacêutica Serum Institute of India, em parceria com a AstraZeneca/Universidade de Oxford/Fiocruz. Ambas aguardam o registro definitivo da agência regulatória, mas já estão sendo aplicadas em nosso país e até o momento cerca de 2 milhões de brasileiros foram vacinados.

Considerando que a população de pacientes oncológicos está sujeita a maiores taxas de complicações pela covid 19, com dados evidenciando taxas de mortalidade entre em 6-61% nessa população, além de prejuízos indiretos como atrasos em exames de triagem, diagnóstico e ao próprio tratamento oncológico a SBOC elaborou um documento esclarecendo que apesar de não terem sido incluídos nos estudos clínicos, a população de pacientes oncológicos em tratamento ativo ou em seguimento oncológico deve ser vacinada contra a COVID19, pois entende que os malefícios de não vacinar são significativamente maiores. Propõe como seguras as duas vacinas liberadas atualmente para uso no Brasil já que a CoronaVAC é composta pelo vírus inativado e a Covishield é feita a partir de um adenovírus não replicante contendo material genético do coronavírus portanto considerado inativo.

Apesar de não existirem ainda dados de segurança para recomendação da vacinação contra o coronavírus em pacientes em uso de inibidores dos co-receptores imunológicos (imunoterapia), por extrapolação dos dados da vacinação contra influenza, a SBOC recomenda a vacinação também nessa população.

Recomenda que se possível, os pacientes oncológicos recebam a vacina antes do início do tratamento, mas alerta que mesmo para os que já estão em tratamento a vacina deve ser priorizada

Sugere ainda que os indivíduos previamente infectados pela COVID sejam vacinados, já que não existem evidencias que a infecção prévia confere imunidade duradoura e nem que a vacinação confere maior taxa de complicações nessa população. O melhor momento para vacinar esses pacientes ainda é motivo de discussões, porém o Ministério da Saúde sugere que os indivíduos sintomáticos recebam a vacina quando com recuperação clínica total e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas e aqueles diagnosticados de forma assintomática sejam vacinados no mínimo quatro semanas após a amostra de PCR positiva.

É importante ressaltar que na população de pacientes oncológicos em tratamento ativo, principalmente naqueles em uso de terapias imunossupressoras, a resposta imunológica pode ser atenuada se comparada a população geral por isso, mesmo vacinados devem manter as medidas de isolamento social além do uso de máscaras e das medidas de higiene.

Vale lembrar que essas recomendações são válidas para as duas vacinas atualmente disponíveis no Brasil e que a medida que novas vacinas forem liberadas essas recomendações devem ser atualizadas. Tradicionalmente, vacinas com vírus vivo atenuados não são recomendadas em pacientes oncológicos em tratamento pelo risco de reativação viral.

Referências:

Author profile
Dra. Andrezza Santos
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Residência em oncologia Clinica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira IMIP, Mestrado em cuidados paliativos pelo IMIP, Preceptora das residências de oncologia clínica do IMIP, Hospital Universitário Osvaldo Cruz -HUOC e do Real Hospital Português

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