Cemiplimabe como monoterapia para tratamento de câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) localmente avançado ou metastático – EMPOWER – lung 1

Cemiplimabe como monoterapia para tratamento de câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) localmente avançado ou metastático – EMPOWER - lung 1

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Foram apresentadas no Congresso Virtual Europeu de Oncologia 2020 (ESMO) que ocorreu entre os dias 19 de setembro de 2020 e 21 de setembro de 2020 as novas análises de sobrevida global do estudo EMPOWER – lung 1, que avaliou o uso de Cemiplimabe monoterapia para primeira linha de tratamento no câncer de pulmão não pequenas células localmente avançado ou metastático.

Cemipilimabe (Libtayo, sanofi) trata-se de um anticorpo anti PD1 com resultados encorajadores no tratamento de carcinoma basocelular localmente avançado ou metastático não candidatos a cirurgia ou radioterapia e seu uso está aprovado pela ANVISA para esta indicação desde abril de 2019.

O estudo aqui tratado no cenário de neoplasia de pulmão não pequenas células consite em um trial fase III, aberto, multicêntrico que randomizou 712 pacientes com diagnóstico de câncer de pulmão não pequenas células (histologia escamosa ou não escamosa) estádio IIIB, IIIC ou IV, não candidatos à ressecção cirúrgica ou quimiorradioterapia definitiva ou que haviam progredido após tratamento com quimiorradioterapia ou cirurgia, cujas células tumorais expressassem PDL1 ​​≥ 50%, sem alteração em ALK, EGFR ou ROS1 .

Foram comparados 356 pacientes que receberam tratamento com cemiplimabe 350 mg via intravenosa a cada três semanas em monoterapia versus 354 pacientes tratados com regimes de quimioterapia baseados em doublet de platina selecionado pelo investigador por 04 a 06 ciclos, o follow up médio dos pacientes foi de 13 meses.

Em comparação com regimes de quimioterapia o uso de Cemiplimabe demonstrou redução de 32% no risco de morte (HR = 0,68) e sobrevida global mediana de 22 versus 14 meses.

A expressão de PD-L1 foi confirmada usando o kit PD-L1 IHC 22C3 pharmDX e na análise de subgrupo dos pacientes com expressão de PD-L1 ≥ 50 % (n =563), Cemiplimabe demonstrou redução de 43% do risco de morte (HR= 0,57) e a sobrevida global mediana não alcançada versus 14 meses para os regimes de doublet de platina.

Outro dado importante observado neste estudo foi a correlação direta entre a taxa de resposta do tumor e os níveis de expressão de PD-L1 nos pacientes tratados com o imunoterápico, mostrando taxa de resposta objetiva mais elevada para pacientes com expressão de PD-L1 maior ou igual a 90%, com tumores alvo diminuindo em mais de 40% após 06 meses de tratamento em média. Este grau de resposta relacionado com o nível de expressão de PD-L1 não foi observado no grupo dos pacientes que fizeram uso de quimioterapia.

Com perfil de segurança e efeitos colaterais já conhecidos e bem manejáveis , a avaliação do Cemiplimabe nessa recente apresentação de atualização de dados do estudo EMPOWER- lung 1 deixa claro o potencial do uso da droga como monoterapia na primeira linha do tratamento de câncer de pulmão não pequenas células localmente avançado ou metastático, aumentando o arsenal de opções dos pacientes deste cenário.

 

 

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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