Síndrome de predisposição hereditária ao câncer

Síndrome de predisposição hereditária ao câncer

Por   

O câncer é considerado uma das principais causas de morte no mundo e surge devido ao acúmulo de mutações genéticas em células inicialmente fisiológicas até tornarem-se maligna. Esse processo se dá por meio de alterações cromossômicas, amplificações genéticas, instabilidades genômicas, mecanismos epigenéticos entre outros.

A síndrome de predisposição hereditária ao câncer (SPHC) é caracterizada por alterações genéticas, nas quais determinadas neoplasias se tornam mais prevalentes em indivíduos da mesma família. Essas afecções genéticas são transmitidas de forma vertical (entre gerações) com padrão mendeliano com risco de 50% em cada gestação e com elevada penetrância com o indivíduo portador da mutação apresentando risco elevado de desenvolver tais neoplasias durante sua vida.

Estima-se que um total de 5-10% de todos os cânceres tenham origem em SPHC e em câncer de ovário esse número pode chegar até 20%.
São características que podem chamar atenção para o diagnóstico:
– Diagnóstico de câncer em idade precoce, normalmente, abaixo de 40 anos de idade;
– Mais que uma neoplasia maligna primária em um mesmo indivíduo;
– Múltiplas pessoas da mesma família com o mesmo tipo de câncer ou neoplasias relacionados, e;
– Várias gerações da mesma família acometidas.

Atualmente, se conhece mais de 200 SPHC, e como exemplos mais comuns com seus principais genes mutados, temos: Síndrome Mama-Ovário (BRCA 1 e BRCA2), Câncer de Cólon Não Polipose Hereditária ou Síndrome de Lynch (MSH2, MLH1, PMS2 e MSH6) , Polipose Adenomatosa Familiar (APC), Neoplasias Endócrinas Múltiplas (PTEN e RET), Câncer Gástrico Difuso Hereditário (CDH1), Síndrome de Li-Fraumeni (TP53), Carcinoma de Células Renais Hereditário (FHIT e TRC8), entre outros.

Esses testes já têm cobertura por parte dos planos de saúde no Brasil, contando que, o paciente preencha os critérios internacionais clínicos da síndrome e que a solicitação seja realizada por um médico oncogeneticista.

Muitas vezes os critérios de apresentação dessas síndromes podem estar sobreponíveis e nessas situações testagem com painéis multigenes baseados nos métodos de Sanger ou NGS (Next-Generation Sequency), identificando variações patogênicas de genes de predisposição ao câncer, são utilizados.

O paciente que tem critérios que possam sugerir que ele ou sua família possam se enquadra em uma SPHC deve ser encaminhado para receber aconselhamento genético, receber orientações pré e pós-testes, se for o caso, e orientação quanto as necessidades de exames de prevenção ou rastreamento, medidas de redução de risco e aconselhamento de familiares.
Mais recentemente outra importância dessa investigação molecular ganha força que é a terapia alvo direcionada a alguns desses genes mutados, melhorando sua eficácia e reduzindo gastos.

Em conclusão o aconselhamento genético em membros de famílias com SPHC é essencial com o objetivo de proporcionar medidas adequadas para redução de morbi-mortalidade e proporcionar qualidade de vida para esses pacientes.

Referências Bibliográficas:

Genet Med. 2020; 22(2): 407–415

Japanese journal of cancer and chemotherapy 2018 Apr;45(4):587-592.

J BUON 2007 Sep;12 Suppl 1: S13-22.

Journal of Czech Physicians Spring 2019;158(1):15-21.
Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(3): 263-269.
Rev Med (São Paulo). 2018 set-out.;97(5):448-53.

Author profile
Dr. Heberton Medeiros - Oncologia
Dr Heberton Medeiros
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN.
Residência em Clínica Médica: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

× Olá, Como posso te ajudar?