Terapia adjuvante nos tumores de esôfago ou de junção gastroesofágica ressecado.

Terapia adjuvante nos tumores de esôfago ou de junção gastroesofágica ressecado.

Comentado por: Dra Ana Caroline Patu

Nenhum tratamento adjuvante foi estabelecido para pacientes que permanecem com alto risco de recorrência após quimiorradioterapia neoadjuvante e cirurgia para câncer de esôfago ou junção gastroesofágica. O estudo CheckMate-577 foi o primeiro estudo a demonstrar a eficácia de um inibidor de checkpoint no tratamento adjuvante em pacientes com tumores de esôfago ou de junção gastroesofágica ressecados que receberam quimiorradioterapia neoadjuvante. Estes resultados foram publicados na New England Journal of Medicine.
Trata-se de um estudo de fase III global, randomizado, duplo-cego, placebo controlado, na qual adultos com câncer de esôfago ou junção gastroesofágica ressecado (R0) estágio II ou III que receberam quimiorradioterapia neoadjuvante e tinham doença patológica residual foram
designados aleatoriamente em uma proporção de 2: 1 para receber nivolumabe (na dose de 240 mg a cada 2 semanas por 16 semanas, seguido por nivolumabe na dose de 480 mg a cada 4 semanas) ou placebo. A duração máxima da terapia foi de 1 ano. O endpoint primário foi a sobrevida livre de doença. Os endpoint secundários foram sobrevida global em 1, 2 e 3 anos.

A maioria dos pacientes tratados com nivolumabe eram do sexo masculino (84%), branco (81%), ECOG 0 (58%), doença em estádio III (66%), estado patológico de linfonodo de ypN1 ou superior (60%), além de 70% dos pacientes  tinham menos de 1% da expressão de PDL1 e a maioria foi submetida a esofagectomia. O acompanhamento mediano foi de 24,4 meses. Entre os 532 pacientes que receberam
nivolumabe, a sobrevida livre de doença mediana foi de 22,4 meses (intervalo de confiança de 95% [IC], 16,6 a 34,0), em comparação com 11,0 meses (IC 95%, 8,3 a 14,3) entre os 262 pacientes que receberam placebo (razão de risco para recorrência da doença ou morte, 0,69; 96,4% CI, 0,56 a 0,86; P <0,001). A sobrevida livre de doença favoreceu o nivolumabe em vários subgrupos pré-especificados. A recorrência à distância ocorreu em 29% dos pacientes do grupo do Nivolumabe vs 39% dos pacientes que receberam placebo.

Eventos adversos de grau 3 ou 4 ocorreram em 71 de 532 pacientes (13%) no grupo de nivolumabe e 15 de 260 pacientes (6%) no grupo de placebo. O regime do estudo foi descontinuado devido a eventos adversos relacionados ao medicamento ativo ou placebo em 9% dos pacientes no grupo nivolumabe e 3% no grupo placebo. Os eventos adversos mais comuns foram fadiga, diarreia, prurido e erupção cutânea no grupo do nivolumabe e diarreia e fadiga no grupo placebo.

Como conclusão entre os pacientes com ressecção de câncer de esôfago ou junção gastroesofágica que receberam quimiorradioterapia neoadjuvante, a sobrevida livre de doença foi significativamente maior entre aqueles que receberam terapia adjuvante com nivolumabe do que entre aqueles que receberam placebo. Este benefício foi observado independentemente do status da expressão do PDL-1. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos.

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