Uso do Larotrectinib em Tumores com Fusão TRK

Por Carolina Zitzlaff

Foi recentemente aprovado no Brasil, pela ANVISA, o uso da medicação oral Larotrectinib. Trata-se de um inibidor de TRK com atividade em diversos tipos de tumores e em crianças e adultos,  e esta aprovação é baseada em publicação do New England Journal of Medicine de Fevereiro de 2018.

Fusões cromossomais recorrentes envolvendo o Receptor quinase tropomiosina (TRK)  tem sido identificada em vários tumores e parecem estar envolvidas na oncogênese em cerca de 1% dos tumores sólidos.

Esta publicação compilou 3 estudos que avaliaram a eficácia de larotrectinib e mostrou os resultados dos primeiros 55 pacientes participantes.

Os pacientes elegíveis tinham algum tumor sólido metastático ou localmente avançado, já haviam recebido terapia padrão previamente (se disponível), um ECOG de 0-3 e sem disfunções orgânicas relevantes, com evidência de fusão na proteína TRK, identificadas por meio de NGS (Next generation sequencing) ou FISH (Fluorescense in situ).

O desfecho primário da análise combinada era taxa de resposta global e os desfechos secundários incluíam a duração de resposta, sobrevida livre de progressão e segurança.

Os pacientes tinham 17 diferentes sítios primários, como  carcinoma de glândula salivar, sarcomas de partes moles, câncer de tireoide, câncer de cólon, câncer de pulmão, Melanoma, entre outros. A taxa de resposta obtida foi de 75%, com 13% dos pacientes com resposta completa. O tempo médio para resposta clínica foi de 1,8 meses e a chance de resposta parecer ser independente do tipo de tumor. Após 1 ano, 71% dos que haviam respondido mantinham benefício e o tempo médio de resposta ainda não havia sido atingido na ocasião da publicação.

Os principais efeitos adversos apresentados foram fadiga, náusea, tosse e alteração de hábito intestinal, sendo que a maioria dos efeitos eram leves (Até Grau 2) e manejáveis, com 15% dos pacientes necessitando de redução de dose.

Em suma, trata-se de uma medicação que pode trazer grande benefício clínico em pacientes selecionados, com evidência de fusão de TRK, com perfil de tolerância favorável. Futuramente teremos mais informações sobre a durabilidade da resposta e ganhos de sobrevida, além de como melhor selecionar os pacientes que possam se beneficiar deste tipo de tratamento.

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